Obras da Catedral

            A ideia de fazer as cisternas na zona rural de Bom Jesus da Lapa assumida pela Igreja na pessoa do Padre Wieslau Gron, polonês,  redentorista.

 

A paróquia de Bom Jesus da Lapa foi erguida no ano 1963. Por 40 anos, funcionou junto com o Santuário do Bom Jesus. No ano 2003 houve separação de ambos e ao mesmo tempo mudou a sede da paróquia e a equipe dos padres, que trabalham na mesma.

             Hoje a paróquia conta com mais de 135 comunidades (aproximadamente 120 comunidades rurais e 15 comunidades urbanas).

             Em 2003 quase 95% das famílias da zona rural passavam por grande necessidade de água potável. Devido à enorme                distancia do rio e a presença da água salgada no subsolo tornou se importante conseguir meios que serviriam para captar a água das chuvas, guardando-a para usar na estiagem. E o meio mais comum, para que todos pudessem alcançar foi a construção das cisternas para cada família. Na primeira etapa, conseguimos construir  cisternas em 15 comunidades, que deu um total de 400. Logo depois podia se notar, que a vida das famílias beneficiadas melhorou muito. E com isso também diminuiu o sofrimento das mesmas. Vendo a melhora nas comunidades beneficiadas provocou em nós a vontade e o desejo de multiplicar o número de cisternas para atingir todas as comunidades e famílias. Cada cisterna custava naquele tempo em média R$ 1.300,00 (um mil e trezentos reais). O levantamento que fizemos para nosso município/paróquia mostrava que precisaríamos em média de 3000 cisternas cada uma de 16 ml litros. Até hoje conseguimos fazer para a metade da Paróquia.

             Outro fator que contribuiu bastante na realização do projeto foi a minha experiência no trabalho em Senhor do Bonfim-BA na Pastoral da Água, construindo as cisternas nas sete comunidades mais carentes na região de Tijuaçu considerada como Quilombola.

            Desde o mês de maio de 2006 até agora com o apoio da CODEVASF e das diversas organizações construímos as cisternas em nossa paróquia, para mais de 60 comunidades, trabalhando com quatro pedreiros profissionais treinados pela ASA da Diocese.

            Os documentos que precisávamos apresentar para conseguir realizar os projetos:

- DESCRIÇÃO DA EXECUÇÃO DO PROJETO

- PLANO DE TRABALHO

- RESUMO DO PLANO DE TRABALHO E ORÇAMENTO

- PLANTA DA CISTERNA

- ESPECIFICAÇÃO TÉCNICA

- MOBILIZAÇÃO SOCIAL

- RELAÇÃO DE FAMÍLIAS A SEREM COMTEMPLADAS C/ CISTERNAS

- MAPA DA PARÓQUIA

- ESTATUTO DA DIOCESE DE BOM JESUS DA LAPA

- CADASTRO NACIONAL DE PESSOA JURÍDICA

- CERTIDÕES NEGATIVAS (06)

- CERTIFICADO DE ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL

- ATA DE ELEIÇÃO DA ATUAL DIRETORIA

- FICHA DE IDENTIFICAÇÃO

- PROVISÃO DE PÁROCO

- PROCURAÇÃO

- DOCUMENTOS PESSOAIS

- IDENTIFICAÇÃO DO ENGENHEIRO RESPONSÁVEL

- OFÍCIO - IBAMA

- DECLARAÇÕES (07)

- ATESTADO/PLANO DE TRABALHO CAIXA

- TERMO DE COOPERAÇÃO TÉCNICA,

- Análise circunstanciada de custo importante

 

  • Animação religiosa e mobilização social das famílias

 

  • Uma celebração da Missa com certa explicação da necessidade da ação.
  • Visita das famílias beneficiadas, também de um ciclo de visitas para cadastramento e seleção das famílias e acompanhamento da obra. 
  • Seleção das famílias.
  • Cadastramento e documentação.
  • Reuniões para mobilização, animação.  (Aqui se trata de: deslocamentos, alimentação para os animadores, trabalho dos animadores).
  • Água para a construção e reserva para não deixar as cisternas vazias depois do trabalho.
  • A inauguração solene com a Missa e Benção das cisternas.

 Fotos de algumas cisternas: 

 

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 Especificação técnicas dos serviços:

1° - encontro com a família beneficiada;

2° - medição e escavação do terreno próximo à casa;

3° - colocação do material necessário no local da escavação, cimento, areia, brita, água e ferro;

4° - construção das placas (3/5 lata de areia por l lata de cimento);

5° - construção da base da cisterna;

6° - levantamento das paredes;

7° - fase de acabamento interno: chapisco e após 30m o reboco e em seguida o piso de acabamento, aplicação do impermeabilizante veda cite;

8° - enrolar o arame com um espaço de 7cm;

9°- reboco por fora;

10° - montagem da tampa com o acabamento;

11° - 18 metros de calha (as calhas são feitas no local junto com coador instalado nos telhados das casas);

12° - instalação da calha para a caixa com os tubos de 75ml;

13° - montagem do chafariz (boias, canos, registro);

 14° - após 3 dias faz-se a calhação com cal;

 15° - colocação da placa de identificação;

 

  • Os recursos para os trabalhos

 Do exterior:

  • Manos Unidas da Espanha;
  • Diocese Tarnovia da Polonia;
  • Centro Missionario em Varsovia na polonia;
  • Governo da Polonia por meio da Ambaixada Polonesa em Brasilia

 Do interior:

  • Governo do Brasil por meio da CODEVASPE em Bom Jesus da Lapa
  • Uma parte como contrapartida dos quase 20 shows de Prêmios organizados na cidade de Bom Jesus da Lapa
  • Próprias famílias beneficiadas envolvidas na escavação e colaboração nos trabalhos;

 O efeito dos trabalhos

Durante sete anos de trabalhos por meio desta ação da Igreja Católica na pessoa do Pe. Wieslau Gron, foram conseguidas de modo direto e indireto quase 1000 cisternas beneficiando 60 comunidades rurais. Cada família recebeu uma caixa de 16 ml litros com todo equipamento de captação e instrução como se deve tratar a água e manter a cisterna em boas condições. Foram também construídas diversas cisternas nas escolas e capelas das comunidades rurais para garantir a água de qualidade para os alunos e professores.

 

A ideia de trabalhar no resgate dos direitos humanos das pessoas deficientes mentais e físicos.

A cidade de Bom Jesus da Lapa está situada no interior do nordeste do Brasil, no estado da Bahia, no médio São Francisco, e tem uma população de aproximadamente 70 mil habitantes. O município de Bom Jesus da Lapa ao mesmo tempo territorialmente é uma paróquia católica e faz parte da Diocese, que é composta de 14 paróquias e a população em total chega a 341.647 pessoas e a maioria habita na zona rural, que são comunidades, ou seja, aldeias ou povoados. Durante 50 anos de existência da estrutura eclesiástica foram desenvolvidos vários projetos sociais, que ajudaram na promoção humana, desenvolvimento sócio-político da região, promoção da cidadania, desenvolvimento do trabalho social com as crianças desnutridas através da Pastoral da Criança. A Igreja se envolveu com muita determinação na defesa dos direitos humanos, na luta pela terra, ajuda na estruturação e desenvolvimento dos quilombos, defendendo e promovendo a cultura e os costumes do povo nordestino. O trabalho pastoral da Diocese de Bom Jesus da Lapa nos últimos anos, além da evangelização está ligado a preservação do meio ambiente, ecossistemas e o Rio São Francisco. Durante estes anos de existência da Diocese foi feito muito, e nossa região progrediu bastante, mas ainda há muita pobreza e desemprego.   Neste ano nossa região é atingida pela prolongada seca. Nos municípios, os pequenos agricultores sofrem privações de tudo e a grande causa disto é a grilagem de terras. Grupos econômicos se apoderam de milhares de hectares de terras, expulsando posseiros, queimando suas casas e depois admitidos para trabalhar para estes “senhores” por um salário de fome, tornando-se quase “escravos” na própria terra. Essa situação gera grandes consequências como: boias-frias, migração, prostituição, salário de fome, falta de moradia, falta de escolas e baixo nível de educação, não há também a assistência médica. A evangelização procurou e procura atingir todos os setores da vida do povo para melhorar as condições de vida e atender as suas necessidades.

 O Santuário de Bom Jesus da Lapa é um dos Santuários onde se atende milhares de romeiros da classe média e baixa. Junto com os romeiros vem sempre visitar o Bom Jesus e procurar abrigo na cidade os inúmeros mendigos e deficientes mentais e físicos. No ano 2002 quando cheguei para esta cidade, como missionário redentorista não conseguia me alimentar e dormir tranquilamente vendo os mendigos olhando pela janela e correndo atrás de mim pedindo esmola. Pensava de dia e de noite como poderia solucionar esta situação. Começando analisar bem esta questão,  logo percebi a grande precariedade na ação social da Prefeitura, falta de interesse daqueles, que poderiam ajudar, mas por falta de interesse e desvio das verbas públicas abandonaram faz tempo este povo sofrido. Uma coisa mais grave encontrei na Previdência Social, a maioria dos benefícios dos deficientes não era aprovado por falta dos documentos necessários e também a ignorância, que é resultado do analfabetismo como também a falta de orientação da parte dos funcionários do INSS e dos Sindicatos Rurais,  que deveriam informar as pessoas  pobres com paciência e clareza sobre os documentos e os passos necessários, para conseguir um auxilio na doença ou aposentadoria. Certos médicos também estavam contribuindo com esta situação clamorosa.  A única instituição, que tentava fazer alguma coisa era a Igreja Católica.  Surgiu até uma farmácia dos padres e o atendimento no Abrigo dos Pobres, que sempre ficava lotado, e passando por muitas dificuldades para se manter. Para mim, não restava duvida, o que devia ser feito. Analisar bem a estrutura que provoca a pobreza, e tentar aos poucos mudar esta situação. Logo percebi que muitas pessoas, que já faz tempo deveriam receber o seu beneficio (salário mínimo) não estão recebendo e comecei me perguntar, por quê? Porque tantos benefícios não são aprovados na nossa cidade? Qual é o motivo desta injustiça? Com a ajuda de alguns médicos, advogados Juiz da Cidade e outras pessoas competentes e de boa vontade do próprio INSS, conseguimos descobrir a causa e resgatar os direitos de centenas de pessoas, tanto na cidade, como na zona rural. O trabalho, que estamos fazendo ate hoje é de grande importância, porque as pessoas na maioria dos casos são deficientes mentais e físicos. No meio delas não faltam as crianças e os jovens, que com sua doença pesavam muito para toda família. Durante onze anos conseguimos benefícios para mais de 4000 pessoas. Mais de 200 delas não tinham nem registro de nascimento. Na maioria dos casos, andei pessoalmente com elas para tirar os documentos necessários e acompanhar até o fim para que a pessoa finalmente pudesse receber o benefício. Pessoas me procuram direto para receber consulta e ajuda no encaminhamento para Previdência e Sindicato. O que dificultou todo trabalho foi a minha transferência e nominação para pároco, onde assumi muitas obrigações e desafios nesta cidade. O que me facilitou todo este trabalho social é a ajuda de uma psiquiatra, que convidava uma vez por mês para examinar dezenas e às vezes centenas de pessoas doentes mentais. Ela vinha da cidade de Barreiras (400 km de distância) recebendo pela consulta R$ 40,00 (quarenta reais) mais a hospedagem e combustível. Para cada visita precisava mais ou menos R$ 5.000,00 (cinco mil reais) fora a despesa com toda documentação e as pessoas que me ajudavam no atendimento, que chegava mais ou menos a R$ 3.000,00 (três mil reais) por mês. O total chegava mais ou menos R$ 8.000,00 (oito mil reais). Para cobrir os gastos, me ajudavam as pessoas de boa vontade, só que o trabalho se divulgou bastante em toda redondeza até nos outros estados e o número de pessoas pedindo ajuda aumentou também.  Geralmente estas pessoas não tinham condições para pagar a consulta.

               

  • Os passos concretos que são feitos para conseguir um benefício ou aposentadoria:
  • Visita pessoal do padre na família ou encontro com mesma na casa do santuário junto com pessoa deficiente.
  • Análise da situação religiosa e social do deficiente e da sua família.
  • Convite para participar da vida da igreja e regularização da vida sacramental.
  • Análise da deficiência e encaminhamento para um médico especialista no caso.
  • Orientações necessárias a respeito da visita no médico.
  • No caso da necessidade o apoio financeiro, tipo empréstimo para conseguir um relatório ou atestado com a finalidade de conseguir um benefício ou aposentadoria.
  • Orientações como organizar a documentação necessária.
  • Caso da situação difícil organizar a ajuda financeira para pagar uma consulta e completar a documentação necessária.
  • Caso da pobreza extrema, próprio se envolver pessoalmente na ajuda concreta nos deslocamentos e na sustentação do deficiente até o mesmo receber o primeiro beneficio.
  • O beneficiado durante todo procedimento está em contato com o padre.
  • No caso do indeferimento o padre junto com o deficiente entra com recurso.
  • No caso do esgotamento do processo administrativo o padre junto com deficiente entra no processo jurídico.
  • Em certos casos é necessário providenciar o processo tutelar ou interdição.
  • Em outros casos é necessário arcar com todas as despesas.
  • O beneficiado tem o compromisso de rezar uma Ave Maria por dia pelo padre que ajudou no resgate dos seus direitos.

 

  • Os recursos para organizar os benefícios.

 

  • Nos primeiros dois anos quando ainda trabalhei como ecônomo do Santuário os recursos vinha do Cofre dos Pobres, depois o Santuário passou para a outra administração e os recursos foram cortados.
  • Como pároco da Paróquia de Bom Jesus da Lapa, fiz vários projetos para o exterior com esta mesma finalidade, e a resposta positiva, veio da Alemanha, concretamente de uma organização internacional Missereor. Recebi a ajuda para trabalhar durante três anos.
  • Por falta de recursos do exterior e da paróquia comecei desenvolver os shows de prêmios para as duas finalidades: além da construção da catedral e das capelas a promoção humana na zona rural (construção das cisternas) e na zona urbana ( os benefícios e aposentadorias para os deficientes físicos e mentais).
  • A ajuda vem também das algumas doações espontâneas.
  • Ultimamente a ajuda esta sendo organizada na maneira seguinte: através do empréstimo sem juros, até o recebimento do primeiro pagamento, contando com a consciência do doente ou idoso, que logo em seguida vai devolver aquilo que tomou emprestado.

 

  • Os benefícios e aposentadorias, que foram conseguidos durante os últimos 11 anos na cidade de Bom Jesus da Lapa por meio da ação da igreja na pessoa do Pe. Wieslau Gron.

 

No inicio por semana conseguia mais ou menos 70 benefícios. Com tempo o numero estava diminuindo e hoje não chega 10 benefícios por semana. Dos meus cálculos totais pessoas beneficiadas diretamente ou indiretamente por meu envolvimento pode chegar o numero até mais do que 4000. Comigo se encontram muitos atestados originais e copias autenticada dos mesmos.

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